Sobre o Produtor

A Borgonha não intervencionista.

A oferta de vinhos verdadeiramente naturais na Côte d’Or é bastante limitada. Fala-se muito em agricultura orgânica e práticas sustentáveis, entretanto a cultura genuinamente não intervencionista (ou de baixa intervenção) acabou se desenvolvendo com mais força no sul da Borgonha. Não é de se estranhar. Como o vinho natural pode se encaixar em um lugar tão marcado pela tradição?
O fato é que o enófilo que busca expressões legítimas do vinho natural na Côte d’Or está limitado a um conjunto pequeno de produtores. Uma ínfima amostra do que a Borgonha representa como um todo.
Este acanhado número de vinhateiros acredita que a única maneira de proteger o terroir é mantê-lo o mais puro possível. Nas vinhas e no escurinho da adega.
Ainda que não haja uma regulamentação clara na França sobre o que é natural, todos eles têm a mesma opinião sobre o assunto: além do pré-requisito de ser orgânico, nada pode ser adicionado ou removido durante a vinificação, ainda que alguns destes produtores adicionem uma quantidade insignificante de sulfitos no engarrafamento, quando extremamente necessário. Tecnicismos à parte, o resultado destes Borgonhas, vinificados “de forma diferente”, é de cair o queixo. Apresentam níveis de pureza incríveis que nos fazem questionar como seriam os crus mais privilegiados da Côte d’Or se tratados e vinificados desta forma.

No ano passado, a Cave Léman buscava novos produtores na Borgonha. Gente ainda “não revelada”, com espírito purista e que fizesse vinhos com níveis superiores de qualidade em crus não necessariamente “privilegiados”. Pois em julho de 2017, um caviste de
Occitanie nos recomendou um Bourgogne Rouge de vinhas de 55 anos do Domaine du Clair Obscur, vinícola situada em Corpeau, há
15 minutos de Beaune. Foi amor à primeira vista.
Comandada por Pierre Clair, diretor de cultura do Domaine Marquis d’Angerville (seu emprego paralelo), Domaine du Clair Obscur faz uso de práticas não intervencionistas. “Aqui fazemos vinhos sem química. Nem nas vinhas, nem na adega”, diz Pierre.
Em recente visita ao seu Domaine, Pierre nos abriu uma garrafa do seu Bourgogne Rouge 2006 (vinificado sans souffre). Foi a primeira safra depois que ele retomou o vinhedo de sua família após 10 anos de arrendamento a terceiros. Sem quaisquer exageros, foi um dos genéricos mais refinados que já bebemos. Onze anos de perfeito envelhecimento. Foi aí que nos demos conta que não precisávamos
de mais nenhuma outra prova.

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